Carta aberta de despedida - Garrius - 10 de Março de 2011
Olá pessoal tudo bem?
O show da última sexta-feira(04/03) para mim vai ficar marcado como o fechamento de uma era com chave de ouro.
Jamais imaginei que tocaria no Blackmore com casa cheia e no melhor horário.
Bom, o motivo desta carta de despedida não é para falar deste que na minha opinião, foi o melhor show desde a fundação desta banda, mas sim para falar da experiência que foi ser um garriano por 2 anos.
Não foi fácil escolher as palavras que iriam compor esta mensagem, como todos sabem, não foi uma decisão simples de ser tomada.
Gostaria de agradecer a cada membro desta banda. Tive o prazer de conhecer pessoas maravilhosas neste período e também conheci alguns que sinceramente, prefiro nem lembrar que estes passaram pela Garrius por duas horas. O Bruno sabe muito bem do que estou falando... rsrsrs
Tive o prazer de subir ao palco por exatas 10 apresentações e tentar levar aos fãns de Danger Danger, o que muitos músicos que tocam Hard Rock, não tem coragem de fazer.
O que fizemos ao longo deste tempo, foi um desafio que encaramos com carinho e superação, pois como não haviam partituras disponíveis, dedicamos tempo, suor, stress, ira e felicidade em cada nota executada de cada música.
Iniciamos com uma tentativa frustrada de tocar Poison e acabamos por fazer um cover de um ícone dos anos 80 que nos chama atenção até hoje.
Tocar Danger Danger para mim, foi mais do que fazer um simples cover, foi um aprendizado que pretendo levar para o resto de minha vida.
Como não é segredo para ninguém, eu sou Head Banger, isso eu não escondo de ninguém, isso tá no meu sangue. Mas quando apareceu esta oportunidade de tocar Danger Danger, torci o nariz a princípio, mas ao ouvir a Beat the Bullet ao vivo no Japão, aquilo foi como um cala a boca para mim e aprendi a gostar desta banda, é um som muito interessante que valia muito a pena ser explorado.
Ao ouvir músicas como Rock America, Under the Gun, Feels Like Love, Horny S.O.B, eu tive medo... medo de não conseguir tirá-las devido a sua complexidade, pois são músicas difíceis.
Quando eu me vi tocando cada uma dessas músicas, em especial a Horny, eu me senti como um cara realizado musicalmente, como se eu tivesse rompido as barreiras do medo e encarado as dificuldades de frente e conseguido o que há alguns anos eu jamais teria coragem de fazer, que era o de tirar músicas com esse nível de dificuldade.
Só que hoje, eu me vejo em um momento que eu preciso parar por um tempo, dizer não um adeus a música, mas sim um até breve. Preciso colocar as idéias no lugar, relaxar, descançar, dar um tempo...
Para mim, esta foi a decisão mais difícil até hoje já tomada por mim, tive que abrir mão não só de uma banda que já estava virando figura obrigatória em alguns eventos, mas de um sonho de anos e anos lutados, e suados para poder virar realidade.
Cada dia que subi no palco junto com a Garrius, procurei fazer o meu melhor, subir no palco com garra, executar cada música e ficar aliviado por conseguir arrancar alguns aplausos do público. Isso para mim, não tem preço que pague esta sensação maravilhosa a ponto de você ficar arrepiado com o retorno do público.
Isso realmente é o que os profissionais sentem quando você executa as músicas que o público espera e canta junto.
Somente uma banda em 10 anos de estrada me fez sentir isso, o seu nome, Garrius, e essa banda sempre andará comigo em meu coração me mostrando que a garra de um músico jamais deve morrer.
Eu não tenho mais palavras para dizer agradecer a todos vocês, pois como disse acima, tudo que eu vivi com a Garrius, não tem preço.
Muito obrigado a todos, de coração.
Grande abraço, e nos vemos por aí.
Marcus Crisostomo